Traduções: Florence Vierendeel


Nessa última edição de 2020, optamos por traduzir dois textos que fazem um balanço ou retrospectiva do ano, observando questões políticas, sociais e afetivas tornadas mais evidentes e urgentes pela pandemia. Ainda que os artigos sejam relativos aos contextos belga e norte-americano, eles abordam temas como: violência contra a mulher na crise sanitária, saúde mental, acesso à rede pública de saúde e/ou redes públicas de apoio, racismo, violência policial e, finalmente, solidariedade. Trata-se, assim, de questões prementes em todos os países do globo, sobre as quais devemos refletir para, quem sabe, tentar nos reconstruir, enquanto sociedades, em novas bases.



Covid 19 e violências contra as mulheres : quais impactos?


Florence Vierendeel*

Introdução

Na Bélgica, a crise sanitária do Covid-19 gerou, em março de 2020, a implementação de medidas de urgência pelas autoridades públicas, confinando a população durante muitos meses. Como nós sabemos hoje, este recuo para dentro dos lares colocou à prova tanto a saúde física quanto mental das cidadãs e dos cidadãos. E as mulheres, intimidadas pelo patriarcado, sofreram ainda mais as consequências.[2] Entre a sua representação excessiva nas profissões da linha de frente (enfermeiras, educadoras, cuidadoras, faxineiras, caixas, etc.), a ocupação (em muitos casos exclusiva) com o cuidado das crianças e das tarefas domésticas ou a fabricação de material de proteção (máscaras, aventais), para muitas delas, as consequências desta pandemia oscilam entre precariedade acentuada, sobrecarga mental, esgotamento ou ainda dificuldades psicológicas.[3] A pesquisa feita pelo Instituto de Saúde Pública Sciensano, avaliando o impacto da crise sanitária sobre os residentes belgas, indicou que 24% das mulheres sofriam de distúrbios de ansiedade durante este período, contra 16% dos homens.[4] E as violências contra a mulher, longe de se atenuarem, se intensificaram.


De fato, este contexto inédito sacudiu nossos modos de vida e nos levou a adotar novos comportamentos. Trocas virtuais intensas, menos frequentação do espaço público, contatos sociais reduzidos… Todos estes ajustes acentuaram, infelizmente, a vulnerabilidade das mulheres diante das violências que de elas são vítimas cotidianamente. Lembremos que na Bélgica aproximadamente 98% das mulheres declaram já ter sido vítima de assédio no espaço público[5] e que, segundo as últimas estimativas da Anistia Internacional e SOS Viol, uma mulher a cada 5 já foi vítima de estupro ao longo de sua vida.[6] Como movimento de educação permanente feminista, progressista, de esquerda e mutualista, nos parece essencial analisar as diferentes facetas deste fenômeno bem como a maneira como nossa sociedade reagiu, ou não, ante a urgência e às questões colocadas por esta problemática no período de confinamento, que sempre esteve no centro de nossas lutas.

O confinamento, novo inimigo na luta contra a violência às mulheres?


As violências contra as mulheres são múltiplas. Entre assédio virtual, no espaço público ou no local de trabalho, violências sexuais, psicológicas ou intrafamiliares… Nenhuma esfera da vida está poupada da insegurança de que pode ser vítima. Essas violências se inscrevem na realidade em uma sociedade que possui, de longa data, uma bagagem patriarcal que se traduz na dominação das mulheres pelos homens. E é porque elas são mulheres que são vítimas dessas violências, razão pela qual também se utiliza o termo “violência de gênero”.


Já onipresente, esta violência sistêmica[7] se acentuou durante o confinamento. Diante das condições de vida impostas por essa medida drástica, a preocupação dos profissionais da área imediatamente se voltou para os casos de violência entre parceiros. Isolamento social reforçado, promiscuidade com o agressor[8], presença contínua das crianças, tensões relativas ao contexto sanitário e econômico…. Esses fatores combinados a um acesso reduzido aos serviços de apoio colocaram um bom número de mulheres e de crianças em perigo[9], notadamente em razão da multiplicação e do agravamento dos episódios de violência. Na Bélgica francófona, a linha gratuita “Escuta violências conjugais” registrou um aumento de três vezes nas chamadas diárias durante a crise sanitária[10], refletindo a necessidade, ainda mais premente em um tal contexto (para as vítimas, mas também para seus próximos e suas famílias) de serem escutados(as) e de obter apoio.[11] De maneira generalizada na Europa a Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou em abril de 2020 um aumento de 60% das chamadas de mulheres vítimas de violências entre parceiros.[12] Essas estatísticas ilustram inequivocamente a gravidade da situação na qual estas mulheres foram colocadas, sem que qualquer medida de acompanhamento específico tenha sido previamente estabelecida.


No entanto, estes perigos ligados às medidas sanitárias adotadas não se manifestaram somente dentro de casa. O assédio de rua é um exemplo marcante. Muitas mulheres assinalaram que na ausência de testemunhas no espaço público, suas raras saídas eram mais frequentemente pontuadas por olhares insistentes, assobios e mesmo insultos.[13] Este testemunho, recolhido no contexto de nossa pesquisa online intitulada “Des(confinamento) e você? Palavras depois ações!”[14], confirma essa constatação:


“A dificuldade de sair da minha casa. Não por falta de recursos, pois sou uma pessoa válida, mas porque a rua se tornava novamente e ainda mais que habitualmente um lugar de insegurança, com homens que tomavam plenamente posse do território e em toda impunidade. Mais que o usual. Então eu quase não saí”.


Para se proteger, as mulheres preferiram então os lugares mais frequentados, apesar dos conselhos de segurança sanitária e/ou elas evitaram de ir passear. Diante das agressões que potencialmente as ameaçam em cada esquina, elas se sentiram compelidas a correr riscos para a saúde e /ou ficar em casa, sem poder se beneficiar das mesmas liberdades que o resto da população. Essa constatação é ainda mais premente para as mulheres que residem em locais pequenos, sem varandas ou jardins.


Enfim, se a utilização massiva da internet e das redes sociais tentou compensar a falta de contatos presenciais, entretanto, as mulheres também não se expressam mais livremente ali. Aqui também, os efeitos do confinamento, tais quais o aumento da audiência e da propagação de imagens, levaram a uma explosão de casos de assédio online, e mais particularmente de “pornografia de vingança” (revenge porn).[15] Ora, essas práticas que consistem em compartilhar, distribuir e difundir conteúdos de caráter sexual sem o consentimento da pessoa envolvida representam agressões sexistas bem reais.[16] Frequentemente alimentados por múltiplos comentários maliciosos, esses ataques visam denegrir diretamente as mulheres, culpabilizá-las e criticar sua sexualidade.[17] As consequências sobre a vítima, frequentemente menor de idade e ainda mais isolada e vulnerável no período de crise sanitária, podem ser devastadoras: problemas de sono, ansiedade, ensimesmamento e mesmo tentativas de suicídio.[18]


Assim, o período de confinamento, já desafiador, significou para as mulheres uma recrudescência de todas as formas de violência contra elas. Tanto o espaço privado como o público ou o virtual são susceptíveis de trazer sua cota de agressões, que as bloqueiam, oprimem e as levam, em alguns casos, a adotar comportamentos de evitação[19], em detrimento de seu próprio bem-estar e do gozo de seus direitos. Porque como indica a Convenção de Istambul[20], estas violências constituem “uma violação de seus direitos humanos e uma forma extrema de discriminação”, o que perpetua as desigualdades entre as mulheres e os homens.[21] O Estado, como garantidor desses direitos, desempenha então um papel fundamental na luta contra essas violências, através, como preconiza a convenção, da prevenção, da proteção das vítimas, da acusação dos autores e da adoção de política integradas.[22]


As associações de base, único baluarte?


Foram, antes de tudo, as associações especializadas no combate à violência contra a mulher que, desde o início do confinamento, lançaram o grito de alerta e decidiram, imediatamente, desenvolver novas parcerias a fim de assistir, ou mesmo socorrer as mulheres em situações de sofrimento e, quando necessário, suas crianças. É o caso notadamente de muitas equipes em Centros de Planejamento familiar das Mulheres Previdentes Socialistas (CPF-FPS) que continuaram a fornecer linhas diretas, a responder mensagens recebidas por e-mail e prosseguir alguns acompanhamentos psicológicos.[23] A manutenção e a acessibilidade desses serviços de primeira linha foram as primeiras questões levantadas pelas estruturas em questão.


No entanto, estes dispositivos não são sempre suficientes, notadamente para proteger de forma eficaz as mulheres vítimas de violência entre parceiros. Especialmente o confinamento limitou fortemente as suas possibilidades de momentos de trégua (como ir ao trabalho, pegar as crianças na escola, fazer as compras, etc.), permitindo a elas se afastar, um instante, de violências psicológicas, verbais, físicas e/ou sexuais perpetradas por seus companheiros, já que o apoio telefônico se mostrou particularmente difícil pois o agressor também estava, na maioria das vezes, sempre presente em casa. Esse contexto complexificou então a criação e/ou a conservação de vínculos com esse público particularmente vulnerável. Quanto à possibilidade de recorrer às forças da ordem, além das reticências habituais e legítimas levantadas pelas vítimas (medo da minimização dos fatos, de um discurso estereotipado ou culpabilizante, procedimentos exaustivos, ausências de resultados conclusivos…)[24], a disponibilidade dos agentes e sua capacidade de ação estavam longe de ser garantidas em todos os locais, mesmo se certas zonas de polícia, como Bruxelas-Norte, implementaram um protocolo de entrar em contato com todas as vítimas de violência intrafamiliar que prestaram queixa três meses antes do confinamento, assim como com os perpetradores presumidos.[25]


Diante dessa situação, as estruturas especializadas se mostraram proativas, propondo e reclamando, sem prazos, soluções junto à administração e autoridades locais onde elas estão presentes. Em Liège, por exemplo, desde o mês de abril, uma parceria foi desenvolvida entre a cidade, a polícia, as CPAS, as farmácias, as livrarias e as associações, notadamente feministas, a fim de lançar a campanha “Farmacêuticas e livreiras: minhas confidentes” permitindo às vítimas pedir ajuda de maneira segura em locais acessíveis durante o confinamento.[26] Esse projeto local, se inspirando no que foi feito na França ou na Espanha, acabou sendo estendido por toda a Bélgica.[27] Enquanto que em Namur, o serviço “Não vale a pena tentar”[28], em colaboração com as antenas regionais das FPS e da Vie Féminine, tomou a iniciativa de redigir cartas ao conjunto dos prefeitos das 38 comunas da Província a fim de pedir a eles para colocar à disposição quartos de hotéis, albergues e alojamentos temporários para as vítimas de violências conjugais e suas crianças, em respeito às medidas sanitárias. Em resposta a essa demanda, a cidade de Namur implementou um local de acolhimento de urgência temporário com 25 camas.[29] Tendo em vista a saturação das estruturas existentes, a questão do número de locais de alojamento disponíveis mobilizou efetivamente o conjunto de atrizes/atores de base.[30] O problema é, no entanto, constantemente denunciado pela sociedade civil - que é indispensável na luta contra a violência à mulher, sendo tanto propulsora de projetos de base como a voz de reivindicações múltiplas.


Na espera de políticas globais, pensadas a longo prazo


Como pudemos ver, diante da urgência, muitas colaborações se criaram no nível local entre o mundo associativo e político. Estas novas redes de solidariedade puderam se organizar rapidamente a fim de levar soluções concretas às mulheres vítimas de violência. Paralelamente, muitas entidades federadas[31] se reuniram através de uma força tarefa[32] “Violência conjugal e intrafamiliar” no início de abril a fim de adotar medidas para prevenir esse aumento das violências.[33] Isto permitiu o desbloqueio dos orçamentos e implementar algumas ações, tais com uma campanha de sensibilização nas redes sociais relembrando os números dos serviços de urgência, de escuta e de apoio.[34] Uma tomada de consciência ocorreu então junto aos representantes políticos e a cobertura midiática permitiu à opinião política questionar-se sobre o assunto.


Mas isso está longe de ser suficiente. Em primeiro lugar, porque no nível local, a disparidade entre as comunas belgas em termos de meios financeiros e humanos segue sendo grande, e em segundo lugar, porque se tratam de respostas temporárias, que surgiram do caráter inédito da crise sanitária, e que se concentram majoritariamente sobre uma única forma de violência à mulher: a violência entre parceiros. Enfim, a responsabilidade diluída entre as eleitas e os eleitos políticos, entre entidades federadas e o nível federal impediu a implementação de medidas integradas, no entanto essenciais para responder eficazmente a essa questão de saúde pública maior.


Assim, que nossa sociedade atravesse, ou não, uma crise sanitária, a Convenção de Istambul, ratificada desde 2016 pela Bélgica, impõe a tomada de certo número de medidas para lutar de forma eficiente contra a violência à mulher, tais como a integração global de uma perspectiva de gênero, a criação de novos lugares em estruturas de acolhimento de urgência, a formação dos profissionais de primeira linha - as forças de ordem, ou ainda a adoção de orçamentos dedicados à prevenção. Essas medidas requerem a elaboração de políticas globais, perenes e coordenadas, financiadas em conformidade. A urgência da crise demonstrou as alavancas de ação disponíveis aos diferentes níveis de poder, de modo que é possível agir agora. As reivindicações nesta área, há muito levantadas pela sociedade civil[35], já não podem ser ignoradas pelas autoridades belgas.


*Florence Vierendeel, criminóloga, responsável e analista de estudos das FPS - Femmes prevoyantes socialistes www.femmesprevoyantes.be. E-mail:Florence.vierendeel@solidaris.be


Traduzido por Thaís Tanure

Revisão de Gabriela Mitidieri


Texto original disponível em: https://www.femmesprevoyantes.be/wp-content/uploads/2020/11/Analyse2020-Violences-et-confinement.pdf

Bibliografia


Artigos de imprensa :

Belga, « Coronavirus : la Wallonie, Bruxelles, la FWB et la Cocof lancent une task force "violences conjugales " », La Libre, 27 mars 2020, https://bit.ly/31NdPZk.

Belga, « Coronavirus et violences conjugales : jusqu’à 60% d’appels d’urgence en plus en Europe selon l’OMS », RTBF, 7 mai 2020, https://bit.ly/2ZuH950.

Belga, « Les Belges plus anxieux et dépressifs avec le confinement », Le Soir, 18 avril 2020, https://bit.ly/31CmGhe.

Belga, « Violences conjugales : résolution approuvée pour un système d’alerte avec les pharmacies », RTBF, 11 juin 2020, https://bit.ly/3oi07aD.

BRICHARD David, LEPAGE Stéphanie, « Coronavirus : les appels à l’aide pour violences conjugales se multiplient », RTBF, 11 avril 2020, https://bit.ly/3e29CWR.

DAMGÉ Mathilde, « L’accroissement des inégalités femmes-hommes pendant le confinement en graphiques », Le Monde, 9 juillet 2020, https://bit.ly/34buU0P.

KLARIC Marianne, « Un Belge sur deux victime de violences sexuelles : les chiffres édifiants d’Amnesty International et SOS Viol », RTBF, 5 mars 2020, https://bit.ly/3dKM888.

LORENZO Sandra, « Face au coronavirus et au confinement, pourquoi les femmes paient un si lourd tribut », Huffington Post, 10 mai 2020, https://bit.ly/31oTxp0.

PRINS, Aliou, « Violences conjugales : les lignes d’écoute pour victimes surchauffent », Moustique, 15 avril 2020, https://bit.ly/3dTmXyT.

SEMAH, Hassina, « Inégalités et violences, la face cachée du confinement », RTBF, 23 mars 2020, https://bit.ly/3io2ntM.

VANDERKELEN Louise, « 98% des femmes victimes de harcèlement de rue », La Libre, 6 mars 2017, https://bit.ly/34cUnqw.

WERNAERS Camille, « Le confinement n’arrête pas le harcèlement de rue », RTBF, 14 avril 2020, https://bit.ly/2BmWJI0.

WERNAERS Camille, « Sur internet, le harcèlement s’accentue aussi avec le confinement », RTBF, 22 avril 2020, https://bit.ly/31yx4qm.


Análises e estudos:

STULTJENS Eléonore, VIERENDEEL Florence, « La crise sanitaire du Covid-19 : partir du vécu des citoyen·ne·s pour réinventer le monde de demain », Étude FPS, 2020, https://bit.ly/35f1gXJ. 11

Covid-19 et violences faites aux femmes : quels impacts ?

VIERENDEEL Florence, « La Convention d’Istanbul : la Belgique en situation d’état d’urgence face aux violences à l’égard des femmes », Analyse FPS, 2019, https://bit.ly/2GTSKFD.


Relatório:

COALITION ENSEMBLE CONTRE LES VIOLENCES, « Évaluation de la mise en oeuvre de la Convention d’Istanbul Rapport Alternatif de la Belgique », 2019, https://bit.ly/3evsXzL.


Documento jurídico:

CONSEIL DE L’EUROPE, Convention du Conseil de l’Europe sur la prévention et la lutte contre la violence à l’égard des femmes et la violence domestique, 11 mai 2011, https://bit.ly/2T5hEV0.


Páginas da web:

BALLOUT, Marion, « Revenge porn : critique d’un phénomène social », Collectif contre les violences familiales et l’exclusion (CVFE), Décembre 2018, https://bit.ly/3dVTcgR.

NUNCIC Pascaline, « Pourquoi les victimes gardent-elles le silence ? », Fédération des Centres de Planning familial des Femmes Prévoyantes Socialistes (FCPF-FPS), https://bit.ly/2ThVAH1.

Ville de Namur, « Covid-19 // Violences intrafamiliales et conjugales : un lieu temporaire pour les victimes », https://bit.ly/37yHtp5.

Ville de Liège, « Les confident·e·s de la période du confinement », https://bit.ly/2YPX6DI.


Notas:

[2] DAMGÉ Mathilde, « L’accroissement des inégalités femmes-hommes pendant le confinement en graphiques », Le Monde, 9 de julho de 2020, https://bit.ly/34buU0P (Consultado em 15 de outubro de 2020).

[3] LORENZO Sandra, « Face au coronavirus et au confinement, pourquoi les femmes paient un si lourd tribut », Huffington Post, 10 de maio de 2020, https://bit.ly/31oTxp0 (Consultado em 15 de outubro de 2020).

[4] Belga, « Les Belges plus anxieux et dépressifs avec le confinement », Le Soir, 18 de abril de 2020, https://bit.ly/31CmGhe (Consultado em 15 de outubro de 2020).

[5] VANDERKELEN Louise, « 98% des femmes victimes de harcèlement de rue », La Libre, 6 de março de 2017, https://bit.ly/34cUnqw (Consultado em 15 de outubro de 2020).

[6] KLARIC Marianne, « Un Belge sur deux victimes de violences sexuelles : les chiffres édifiants d’Amnesty International et SOS Viol », RTBF, 5 de março de 2020, https://bit.ly/3dKM888 (Consultado em 15 outubro de 2020).

[7] Que se inscreve em um sistema considerado em seu conjunto, no caso, a organização de nossa sociedade.

[8] Tendo em vista o caráter sistêmico da violência contra a mulher, que é a violência de gênero, as FPS optaram por não utilizar os termos “perpetrador” ou “agressor”, inclusive, por se tratar de uma maioria de homens.

[9] EMAH, Hassina, « Inégalités et violences, la face cachée du confinement », RTBF, 23 de março de 2020, https://bit.ly/3io2ntM (Consultado em 19 outubro de 2020).

[10]PRINS, Aliou, « Violences conjugales : les lignes d’écoute pour victimes surchauffent », Moustique, 15 de abril de 2020, https://bit.ly/3dTmXyT (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[11] BRICHARD David, LEPAGE Stéphanie, « Coronavirus : les appels à l’aide pour violences conjugales se multiplient », RTBF, 11 de abril de 2020, https://bit.ly/3e29CWR (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[12] Belga, « Coronavirus et violences conjugales : jusqu’à 60% d’appels d’urgence en plus en Europe selon l’OMS », RTBF, 7 de maio de 2020, https://bit.ly/2ZuH950 (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[13] WERNAERS Camille, « Le confinement n’arrête pas le harcèlement de rue », RTBF, 14 de abril de 2020, https://bit.ly/2BmWJI0 (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[14] Voltada para residentes na Bélgica, esta pesquisa foi realizada entre 11 de maio e 11 de junho de 2020 com o objetivo de identificar as dificuldades que elas/eles encontraram durante as medidas restritivas impostas pela crise sanitária, bem como suas aspirações para o mundo de amanhã. Para mais informações, particularmente sobre a análise dos resultados: STULTJENS Eléonore, VIERENDEEL Florence, « La crise sanitaire du Covid-19 : partir du vécu des citoyen·ne·s pour réinventer le monde de demain », Étude FPS, 2020, https://bit.ly/35f1gXJ (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[15] WERNAERS Camille, « Sur internet, le harcèlement s’accentue aussi avec le confinement », RTBF, 22 de abril de 2020, https://bit.ly/31yx4qm (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[16] BALLOUT, Marion, « Revenge porn : critique d’un phénomène social », Collectif contre les violences familiales et l’exclusion (CVFE), Dezembro de 2018, https://bit.ly/3dVTcgR (Consultado em 19 outubro de 2020).

[17] WERNAERS Camille, « Sur internet, … », op. cit.

[18] Ibid.

[19] Por exemplo, não sair na rua depois de um certo horário, evitar de vestir certas roupas, se censurar nas redes sociais, etc.

[20] A Convenção do Conselho da Europa sobre a prevenção e a luta contra a violência à mulher e a violência doméstica (Convenção de Istambul) é um tratado europeu restritivo, ratificado pela Bélgica em 14 de março de 2016. Para mais informações: VIERENDEEL Florence, « La Convention d’Istanbul : la Belgique en situation d’état d’urgence face aux violences à l’égard des femmes », Analyse FPS, 2019, https://bit.ly/2GTSKFD (Consultado em 15 de outubro de 2020).

[21] CONSEIL DE L’EUROPE, Convention du Conseil de l’Europe sur la prévention et la lutte contre la violence à l’égard des femmes et la violence domestique, 11 de maio de 2011, Exposé des motifs, https://bit.ly/2T5hEV0 (Consultado em 19 de outubro de 2020).

[22] Ibid.

[23] Afirmações recolhidas em uma entrevista realizada com Linda Culot, coordenadora do Centro de Planejamento familiar (CPF) de Namur e do serviço de acolhimento, de orientação e de acompanhamento das vítimas de violências conjugais “Não vale a pena tentar”.

[24] NUNCIC Pascaline, « Pourquoi les victimes gardent-elles le silence ? », Fédération des Centres de Planning familial des Femmes Prévoyantes Socialistes (FCPF-FPS), https://bit.ly/2ThVAH1 (Consultado em 21 de outubro de 2020).

[25] BRICHARD David, LEPAGE Stéphanie, « Coronavirus : … », op. cit.

[26] Ville de Liège, « Les confident·e·s de la période du confinement », https://bit.ly/2YPX6DI (Consultado em 21 de outubro de 2020).

[27] Belga, « Violences conjugales : résolution approuvée pour un système d’alerte avec les pharmacies », RTBF, 11 juin 2020, https://bit.ly/3oi07aD (Consultado em 21 de outubro de 2020).

[28] Serviço de acolhimento, de orientação e de acompanhamento de vítimas de violências conjugais.

[29] Ville de Namur, « Covid-19 // Violences intrafamiliales et conjugales : un lieu temporaire pour les victimes », https://bit.ly/37yHtp5 (Consultado em 21 de outubro de 2020).

[30] Ibid.

[31] A Federação Valônia-Bruxelas, a região valona, a Região de Bruxelas-Capital e a Comissão comunitária francesa.

[32] Grupo temporário criado para cumprir uma missão específica.

[33] Belga, « Coronavirus : la Wallonie, Bruxelles, la FWB et la Cocof lancent une task force "violences conjugales" », La Libre, 27 mars 2020, https://bit.ly/31NdPZk (Consultado em 26 de outubro de 2020).

[34] Ibid.

[35] Para mais informações, ver COALITION ENSEMBLE CONTRE LES VIOLENCES, « Évaluation de la mise en œuvre de la Convention d’Istanbul Rapport Alternatif de la Belgique », 2019, https://bit.ly/3evsXzL.


Créditos de imagem

Imagem da capa: Action contre les violences faites aux femmes, à Bruxelles, le 22 novembre, 2020. - © NICOLAS MAETERLINCK - BELGA

Imagem interna: https://www.femmesprevoyantes.be/2020/11/24/analyse-2020-evaluation-de-la-mise-en-application-de-la-convention-distanbul-en-belgique-stop-a-linaction-politique/