Tá rolando... (11ª edição)

Atualizado: Jun 19



Confiram as nossas recomendações:


III JORNADA VIRTUAL DA REDE DE HISTORIADORAS/ES LGBTQIA+: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS, SUJEITAS E RESISTÊNCIAS.


A rede de Historiadoras e Historiadores LGBTQIA+ preparou uma programação que está ocorrendo desde o dia 17 de maio e será finalizada no dia 28 de junho. A programação inclui mesas de debates, lançamentos de livros e entrevistas com pioneiros/as e pesquisadores/s do movimento LGBT. A transmissão ocorre pelo canal da rede no Youtube. Confiram em: Rede Historiadorxs LGBTQI https://www.youtube.com/channel/UC6pRt1_iiTroHrDi8l-hJ6A


LIVRO: CLIO SAI DO ARMÁRIO - HISTORIOGRAFIA LGBTQIA+

A obra Clio sai do armário, organizada por Rita Colaço Rodrigues, Elias Ferreira Veras, Benito Bisso Schmidt, é um marco nos estudos históricos brasileiros, fruto do primeiro encontro organizado entre historiadoras e historiadores ligados à temática LGBTQIA+. Seus textos oferecem uma reflexão densa e atualizada, situada em seu escopo temático, mas que mobiliza questões que perpassam toda a historiografia. Nas palavras de Joana Maria Pedro, é uma obra que "conclama à empatia, ao olhar para o outro, para o cuidado. É resultado da coragem de quem, no passado e no presente, soube desobedecer a cisheteronormatividade". A obra conta com a colaboração dos seguintes nomes: Joana Maria Pedro (prefácio), Benito Bisso Schmidt, Paula Silveira-Barbosa, Daniel Vital Silva Duarte, João Gomes Junior, Rodrigo de Azevedo Weimer, Julia Aleksandra Martucci Kumpera, Kleber José Fonseca Simões, Rita de Cassia Colaço Rodrigues, Elias Ferreira Veras, Hélio Secretário dos Santos, Rafael França Gonçalves dos Santos, Augusta da Silveira de Oliveira e José Wellington de Oliveira Machado. O livro foi publicado pela editora Letra e voz e pode ser adquirido no link: Clio sai do armário: Historiografia LGBTQIA+ [Em pré-venda: Envio a partir de 05/05]


CANTORA CLAUDIA MANZO - MÚSICA VACILÃO

A cantora e compositora Claudia Manzo, chilena residente em Belo Horizonte, lançou na última semana, na companhia de Mariana Cavanellas, seu single baphônico "Vacilão''. Cumbia circense feminista, Vacilão convida as mulheres a não se calarem diante de esquerdomachos, abusos e outras tretas, como podemos ver no verso da canção “vacilão merece exposição”. Dançante e teatral, “Vacilão” nos convida à dança; não uma dança só, mas acompanhada das várias mulheres que somos, ancoradas em nossos corpos femininos, que já não aceitam caladas os (mil) assédios pelos quais (infelizmente) todas já (ainda) passamos. Cláudia Manzo lançou recentemente as músicas “Pachamama” e “Capucha” no álbum OxeAxeExa, do BaianaSystem, o single “Re-volta” e é autora do álbum solo “América por una mirada femenina”, de 2017. Em 2021 vai lançar, ainda, seu novo álbum. Aguardamos ansiosas.


COLETÂNEA “ESCRITURAS NEGRAS II - AS MARCAS” - Indicação da leitora e autora Jeovânia Pinheiro

A coletânea “Escrituras Negras II_ As Marcas” é organizada pela escritora Jeovânia P., e traz consigo um recorte de gênero e etnia. Visto que o projeto é todo voltado para a produção intelectual da mulher negra, a saber, desde a idealização, organização, capa, homenageada, textos, tudo é produzido por pretas. Uma das marcas que as coletâneas produzidas por Jeovânia P. têm é que as capas de todas as obras são baseadas em obras plásticas de mulheres. No caso de Escrituras Negras, as artistas plásticas são sempre afro-brasileiras. Esse volume II traz na capa o quadro de Vânia de Farias Castro e homenageia Maria Firmina dos Reis. Outro aspecto relevante a se pensar, é que a obra contém em si três gêneros literários: contos, crônicas e poesias. Portanto, traz a diversidade na linguagem e nas formas. Além de que as mulheres que estão na obra vêm das mais variadas partes do país e de fora dele. São trinta e uma autoras vindas do nordeste, sudeste, sul, centro-oeste, Portugal e Alemanha. Ainda se unem a estas a homenageada, Maria Firmina dos Reis, a escritora que produziu o poema sobre a homenageada, Selma Maria da Silva, e a prefaciadora, Elisabete Nascimento. Logo, há mais que a multiplicidade de gêneros literários, há uma pluralidade de olhares e experiências que são oriundas das próprias culturas em que cada uma dessas mulheres estão inseridas. Por isso, quando elas refletem e produzem literariamente sobre ‘as marcas’ que o mundo imprime nelas, elas apresentam marcas de diferentes perspectivas, isto é, sociais, físicas, psicológicas e ancestrais. Ao mesmo tempo, proporcionam a identificação de outras mulheres negras com as suas escritas, como quem fala de uma multidão inteira.

Elisabete Nascimento no prefácio nos diz:

“O livro Escrituras Negras II atravessou a minha alma, cortando-a, afetando-a, paradoxalmente, com dores e alegrias. As autoras, num ousado ato político, ao escrevê-las como escrita de si e /ou de vozes de mulheres negras, também inscrevem suas narrativas e poemas num corpus literário brasileiro mais complexo. Neste sentido, os corpos negros femininos são, de fato, um campo de luta contra as violências físicas e simbólicas impostas historicamente às mulheres negras. Esta obra nos inspira a um debate político e poético sobre o corpo da mulher negra no enfrentamento com o corpus literário, cujas matrizes e cânones hegemônicos prescrevem o corpo negro feminino como tema/objeto da narrativa e da pesquisa, mas não como sujeito. Na contramão, vozes e autorias fecundam e vão parindo insubordinações e um corpus literário com suas marcas e subjetividades. Nele, se inserem como escrevivências, interpelando a tradição literária brasileira que relegou a estes corpos à invisibilidade e à subalternidade. Assim sendo, as Escrituras Negras denunciam o corpus político estereotipado, invisibilizado e silenciado, contra os quais vozes e autorias se insubordinam.”

Portanto, convidamos a todos a conhecerem não apenas esta obra “Escrituras Negras II_ As Marcas”, como também a escrita das mulheres negras, a potência que há na literatura das nossas pretas.


LIVRO VELHAS SÁBIAS: UM TRIBUTO ÀS QUE VIERAM ANTES DE NÓS- Indicação da leitora e autora Jeovâ nia Pinheiro

Quase todos conhecem uma velha sábia, a mulher que atravessou anos fazendo coisas espetaculares como, por exemplo, viver a vida da melhor forma que possível, nas circunstâncias que se apresentassem, num país que não tem olhos para a força feminina. Velhas Sábias – Um tributo às que vieram antes de nós, junta um punhado delas, numa antologia organizada pela escritora Fátima Soares. O livro, que reúne 27 escritoras de sete estados brasileiros, terá lançamento nacional virtual na próxima quarta-feira, dia 26, às 18h, com transmissão pelo canal Projeto Velhas Sábias, no YouTube. As escritoras – e algumas das velhas sábias que ainda estão entre nós - participarão da festa, com a presença de Maria Valéria Resende, a inspiradora do movimento Mulherio das Letras, e da organizadora. A conversa será mediada pelas escritoras Leila Santos e Sofia Leal. Editada pela Ipanec, sob o selo do Mulherio das Letras, a antologia foi idealizada, inicialmente, no Morro da Conceição, em Recife, quando 13 mulheres negras pensaram em enfrentar o desafio de contar a vida de mulheres que fizeram história nos seus núcleos e alcançaram a longevidade. A ideia foi maturando e, sob o advento da pandemia, cresceu e alcançou outras mulheres, algumas estreantes na escrita. “Velhas Sábias – Um tributo às que vieram antes de nós” conta histórias de mulheres negras, brancas, descendentes de indígenas e imigrantes. Todas elas atravessaram as mudanças do Século XX em núcleos de extrema pobreza ou em famílias abastadas, no campo e nas cidades de um Brasil que começava a deixar para trás a sua característica rural. Em comum, elas venceram de alguma forma a opressão característica do patriarcado, pariram ou criaram núcleos familiares, ganharam o sustento das crias. Sábias por driblar as dificuldades, alcançar a velhice e deixar um legado às que chegam depois delas.

As escritoras são de Recife e outras cidades de Pernambuco, da Bahia, do Rio Grande do Norte, do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraíba e Brasília.

Lançamento: Velhas Sábias – Um tributo às que vieram antes de nós, selo Mulherio das Letras, Editora Ipanec, Recife, 2021

Dia 26/05 – 18 horas

Transmissão: Canal Projeto Velhas Sábias, no YouTube (Projeto Velhas Sábias)