Tá rolando...




1. ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais)


A instituição é definida como "uma rede nacional que articula em todo o Brasil 127 instituições que desenvolvem ações para promoção da cidadania da população de travestis e transexuais"” com a missão de “Identificar, Mobilizar, Organizar, Aproximar, Empoderar e Formar Travestis e Transexuais das cinco regiões do pais para construção de um quadro político nacional a fim de representar nossa população na busca da cidadania plena e isonomia de direitos.” Conheça um pouco mais no seu site: https://antrabrasil.org

Junto com o IBTE é feito um trabalho importantíssimo de tentar mapear os assassinatos de pessoas trans e travestis através de um dossiê anual divulgado sempre no mês de janeiro (mês da visibilidade trans) sobre a violência contra as pessoas T. Esses dados expõem uma triste realidade, além do Brasil ser o país onde mais se mata pessoas trans, a exclusão social, educacional e as violências de diversas naturezas aparecem em números vergonhosos. Esse anuário foi publicado pela primeira vez em 2018. No link a seguir vocês encontrão todos os números, inclusive o relativo ao ano de 2020, (https://antrabrasil.org/assassinatos/) leia um trechinho:

"Em 2020, o Brasil assegurou para si o 1o lugar no ranking dos assassinatos de pessoas trans no mundo, com números que se mantiveram acima da média. Neste ano, encontramos notícias de 184 registros que foram lançados no Mapa dos assassinatos de 2020. Após análise minuciosa, chegamos ao número de 175 assassinatos, todos contra pessoas que expressavam o gênero feminino em contraposição ao gênero designado no nascimento, e que serão considerados nesta pesquisa. É de se lembrar exaustivamente a subnotificação e ausência de dados governamentais."


2. AFROFLIX


Vocês já conhecem a plataforma AFROFLIX? Idealizada pela realizadora Yasmin Thayná, que assina o premiado filme Kbela (2015), já indicado por aqui, a plataforma disponibiliza filmes que tenham pelo menos uma pessoa negra nas equipes técnicas e/ou artísticas e é alimentada de forma colaborativa. A contribuição para o acesso gratuito ao que tem sido feito no audiovisual atual e para a representatividade das pessoas negras no cinema são dois pontos positivos da iniciativa. Além disso, qualquer pessoa pode se inscrever para enviar seu próprio filme ou indicar algum material. Ali a gente encontra diversos formatos e gêneros, filmes ficcionais, séries, vlogs, documentários, vídeo clipes. Na porta de entrada da plataforma vemos uma imagem do curta Mulher do Fim do Mundo, realizado pela Yasmin Thayná, que conta com uma bela coreografia da música homônima da Elza Soares, trazendo um olhar sobre a cidade do Rio de Janeiro, a música, o samba, a dança e as multicores da cidade. As cores são as cores da festa, do Carnaval, mas a festa ali está quase vazia, somente passam na avenida os coreógrafos e atores, lembrando estranhamente este carnaval de 2021 - o ano que não teve carnaval - apesar de ser uma obra em 2018.


3. FLORIM

Recomendamos a novela FLORIM, de Ruth Ducaso, que narra a história de Dita, uma mulher que trabalha no tráfico de drogas e sonha em ser poeta. O enredo transita entre a fúria e a prisão, seu deslocamento, solidão, prazer e encantamento. A protagonista nos fala do racismo estrutural na sociedade brasileira a partir de imagens que são registros e rastros do período colonial brasileiro. Ao mesmo tempo em que faz uso da cosmologia yorubá e da denúncia social em várias chaves de leitura (gênero, classe e raça para citar algumas), a obra retoma um tema caro à produção contemporânea, a discussão sobre autoria, por meio da escrita singular de Luciany Aparecida, criadora das assinaturas estéticas Ruth Ducaso, Margô Paraíso e Antônio Peixôtro. Como esclarece a autora, não se trata de pseudônimo, nem heterônimo, mas de estilos com os quais escreve prosa com aproximações à poesia. Florim é composto por diferentes registros: relatos em primeira e terceira pessoa nos formatos diário, narrativa oral e poesia, provocando o leitor a participar da junção dessas linguagens. Luciany Aparecida é baiana, escritora e professora de literatura. Suas principais obras são: com a assinatura Ruth Ducaso: Contos ordinários de melancolia (Paralelo13S, 2019). Como Margô Paraíso publicou: Ezequiel (Pantim, 2019). E com a assinatura Antônio Peixôtro o zine: Auto-retrato (Pantim, 2019). Se você também ficou curiosa e deseja adquirir Florim (Paralelo13S, 2020), acesse: www.livrariabotocorderosa.com/loja/produto/florim/ ou pelo Instagram @lucianyaparecida


4. DICIONÁRIO BIOGRÁFICO "EXCLUÍDOS DA HISTÓRIA" ORGANIZADO PELA OLIMPÍADA NACIONAL DE HISTÓRIA DO BRASIL (ONHB):

A Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB) foi criada no ano de 2009 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e reúne mais de 70 mil estudantes dos dois últimos anos do ensino fundamental e do ensino médio das escolas públicas e particulares do país, com o objetivo de proporcionar o estudo e o conhecimento em história do Brasil. No final do ano de 2020, na 11ª edição da Olimpíada intitulada “Excluídos da História”, a ONHB organizou um dicionário biográfico que contém 2.251 verbetes sobre personagens brasileiros importantes que estão fora dos livros de história do país. Segundo a coordenadora da ONHB, a professora e historiadora Cristina Meneguello (Unicamp), a discussão sobre os excluídos da história foi retomada após o carnaval de 2019 a partir do samba enredo apresentado no enredo “História para ninar gente grande”, de autoria da Estação Primeira de Mangueira. A produção do dicionário biográfico contou com a participação de 6.753 estudantes que participaram da 5ª fase da Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), realizada entre os dias 3 a 8 de junho de 2019, e que fizeram uma rica pesquisa sobre diversos nomes da história do Brasil. O que deveria ter sido apenas uma tarefa de pesquisa foi transformado em um material que pode ser compartilhado com professoras, professores, estudantes e a todos e a todas interessadas no conteúdo. Confira o material em: https://www.olimpiadadehistoria.com.br/especiais/excluidos-da-historia/verbetes