Respeita Nossa História: Antonieta de Barros

Por Ynaê Lopes dos Santos*



Imagem disponível em: http://www1.udesc.br/?id=2678
Antonieta Barros









	No dia 15 de outubro comemoramos o Dia do(a) Professor(a). Uma data que deveria trazer inúmeras reflexões, a começar pela insistência que o Estado brasileiro tem em manter essa profissão no limite da precarização. Mas esse dia também fala sobre a presença negra no magistério. Devemos muito à Antonieta de Barros - responsável pela lei que transformou essa data num marco nacional.



“A alma feminina se tem deixado estagnar, por milhares de anos, numa inércia criminosa. Enclausurada por preconceitos odiosos, destinada a uma ignorância ímpar, resignando-se santamente, candidamente, ao deus Destino e a sua congênere Fatalidade, a Mulher tem sido, de verdade, a mais sacrificada metade do gênero humano. Tutelada tradicional, irresponsável pelos seus atos, boneca-bibelot de todos os tempos”. Antonieta Barros - Revista Terra. Ano 1, nº17, 1920


Nascida em 1901 em Santa Catarina, criada apenas pela mãe (empregada doméstica que havia nascido como escravizada), Antonieta foi uma das mais importantes professoras da sua época. Ensinando Português e Literatura, Antonieta fundou um Curso Particular para a alfabetização de pessoas carentes, e atuou como docente e diretora do atual Instituto de Educação. Antonieta também fundou jornais e publicou crônicas que tratavam de uma série de assuntos.


Atuou na política, tendo sido a primeira deputada negra eleita no Brasil. Participou da constituinte de 1935, sendo responsável pelos capítulos Educação, Cultura e Funcionalismo, até o golpe de Getúlio Vargas. Em 1937 publicou o livro “Farrapo de Ideias” e continuou atuando energicamente em prol do poder transformador da educação, voltando à vida política após a restauração democrática. Suas bandeiras pregavam a educação de qualidade para todos, a luta contra o racismo e a igualdade de condições para as mulheres! Faleceu em março de 1952.


“Não será a tristeza do deserto presente que nos roube as perspectivas dum futuro melhor (..), onde as conquistas da inteligência não se degenerem, em armas de destruição, de aniquilamento; onde os homens, enfim, se reconheçam fraternalmente. Será, contudo, quando houver bastante cultura e sólida independência entre as mulheres para que se considerem indivíduos. Só então, cremos existir uma civilização melhor.”
Antonieta Barros. Jornal República, 13 de maio de 1932

Uma história e tanto! Uma história que é nossa! Uma história que só torna maior a necessidade de comemorarmos o dia de hoje, não nos esquecendo que professor, é para vida toda.



*Ynaê Lopes dos Santos é historiadora e Professora Adjunta de História da América da UFF. Instagram: nossos_passos_vem_de_longe Twitter: @ynaelopes




Quer saber mais?


MOTT, Maria Lúcia de Barros. Escritoras negras resgatando a nossa história. Coleção Papéis Avulsos,1989.


ESPINDOLA, Elizabete M. Antonieta de Barros: Educação, Gênero e Mobilidade Social em Florianópolis na primeira metade do século XX. (Tese de Doutorado em História Social) Programa de Pós-Graduação em História Social. Belo Horizonte: UFMG, 2015.


ESPÍNDOLA, Elizabete Maria. ANTONIETA DE BARROS: EDUCAÇÃO, CIDADANIA E GÊNERO PELAS PÁGINAS DOS JORNAIS REPÚBLICA E O ESTADO EM FLORIANÓPOLIS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX. Disponível em <http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos.6/elizabeteespindola.pdf > Acesso em: 18 de fev. de 2021.


Veja o vídeo curta-metragem documentário “Antonieta”, sobre Antonieta de Barros:

https://www.youtube.com/watch?v=4gTKJabYgKI

Ficha técnica

Direção: Flávia Person Roteiro: Flávia Person

Produtora: Magnolia Produções Culturais e Ombu Arte

Montagem: Yannet Briggiler

Edição de Som e Trilha Sonora: Diogo de Haro

Pesquisa e Consultoria Histórica: Fausto Douglas Corrêa Júnior Assistência de Produção: Gabi Bresola e Matias Eastman

Assessoria de Comunicação: Barbara Pettres

Edição de Texto: Fábio Brüggemann Preparação

Vocal: Barbara Biscaro

Mixagem: Diogo de Haro e Paulo Costa Franco (Estúdio Ouié)


As dicas e citações desse artigo foram adicionadas pela equipe editorial da Revista MFM