Respeita Nossa História: a escritora Palmyra Wanderley (1899-1978) e a emancipação feminina

por Maiara Juliana Gonçalves da Silva*




Palmyra Guimarães Wanderley destacou-se no meio intelectual potiguar por meio de suas poesias e de sua atuação na imprensa. A escritora, desde cedo, parecia ter trilhado os caminhos da família “Wanderley”, uma família de intelectuais consagrados no estado do Rio Grande do Norte. A vida pública da jovem intelectual foi trilhada pelo cenário literário norte-rio-grandense com a publicação de dois livros de poesias Esmeraldas (1918) e Roseira Brava (1929). Antes mesmo da publicação dos seus livros, Palmyra Wanderley enveredou pelo campo jornalístico, realizando o anseio de uma geração de mulheres dispostas a contribuir intelectualmente com a fundação da primeira revista feminina impressa do estado, a revista Via-Láctea, de onde disseminou escritos acerca da educação e da emancipação da mulher.

Em fins do século XIX e nas quatro primeiras décadas do século XX, Natal vivenciou um período de transformações materiais e culturais que delineavam um novo modelo de organização do espaço urbano. Os indícios de desenvolvimento urbano podem ser percebidos no início do século XX, por meio dos projetos de urbanização e de higienização elaborados na capital norte-rio-grandense. Nas primeiras décadas do século XX, a cidade ganhou novos ambientes. Vieram os clubes, os cafés, os cinemas, a iluminação elétrica e o transporte por bondes elétricos que conferiram uma nova feição à cidade do Natal. Segundo o historiador Raimundo Arrais, mesmo que classificada como uma capital sediada em uma cidade pequena, Natal não se mostrou indiferente às ideias que circulavam no mundo (ARRAIS, 2008, p. 27). A capital norte-rio-grandense foi aos poucos assimilando o espírito de vida moderna, do novo, de progresso referentes ao discurso que contaminava o Brasil durante o regime republicano.

O desejo de progresso e de civilização não passou indiferente em Natal, uma vez que tal discurso, influenciado pelas correntes científicas e filosóficas de fins do século XIX, foi capaz de estimular as transformações sociais e físicas empreendidas na urbe. Durante o período da Primeira República, identificamos um grupo de intelectuais atuando na capital norte-rio-grandense. Esses indivíduos reservavam parte do seu tempo à produção literária. Homens e mulheres que produziram crônicas, poesia, romances, contos, peças de teatro, estudos científicos, críticas, ensaios monográficos, entre outros gêneros. Esses indivíduos, que se autonomeavam de literatos, delinearam o universo das letras potiguares. Identificamos entre o conjunto de intelectuais potiguares, o nome de algumas mulheres que participavam da construção do âmbito literário da capital, entre elas: Palmyra Wanderley, Carolina Wanderley, Sinhazinha Wanderley, Auta de Souza, Isabel Gondim, Anna Lima, entre outras. A presença feminina identificada no espaço literário natalense nos leva a conjecturar uma “invasão” da mulher no espaço público nas primeiras décadas do século XX. Essa tendência parecia acompanhar um movimento nacional, no qual as mulheres passavam a ocupar espaços que antes lhe eram negados. Para aquelas que se lançaram na escrita, essas passavam a se deparar com a possibilidade de uma escrita pública, saindo da condição anterior que dizia respeito ao exercício da arte de escrever realizado no refúgio do âmbito privado, seu lar.

Palmyra Guimarães Wanderley nasceu no dia 06 de agosto de 1899 na cidade de Natal. Era filha do desembargador Celestino Carlos Wanderley e da escritora Ana de Freitas Guimarães Wanderley. Como podemos perceber, ao relatar a sua filiação, Palmyra Wanderley pertencia a importante família Wanderley (1). A jovem escritora era neta de Luiz Carlos Lins Wanderley, o primeiro médico norte-rio-grandense, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1856. Em 25 de julho de 1858, o jovem médico casou-se, em primeiras núpcias, com Francisca Carolina Wanderley. Do casamento gerou os frutos: Luiz Carlos Wanderley Filho, Manoel Segundo Wanderley, Celestino Wanderley (pai de Palmyra), Ezequiel Wanderley, Maria Carolina Wanderley e João Carlos.


Legenda: Palmyra e amigas na cidade de Natal na década de 1920. Acervo particular de Cinira Wanderley Raymond.


Em meio aos festejos elaborados pelo clube, a instituição propunha uma “Hora literária”, ou seja, o momento em que as festas no clube dedicavam um instante à literatura local. O momento literário era promovido pelos sócios do clube a fim de proporcionar, aos participantes, um momento de leitura, declamações de poemas e apreciações das produções literárias com a presença de alguns dos escritores do estado. Percebemos a presença de Palmyra Wanderley nos eventos da “Hora literária” realizados em um clube que só aceitava homens como seus sócios. O Natal-Club era uma associação fechada a um número específico de sócios. Serem aceitos como sócios em instituições como o Natal-Club, era privilégios de poucos. As candidaturas à associação eram examinadas por uma Assembleia Geral. Desse modo, o clube estava aberto apenas a “pessoas conceituadas, de posição social definida”. Os sócios deveriam contribuir, mensalmente, com o valor de cinco mil réis, “além do pagamento inicial em joia, no valor de vinte e cinco mil réis” (ESTATUTO, 1909). Contudo, no 11º aniversário do Natal-Club, foi anunciado nas páginas do Jornal A República a presença das: “as maviosas poetisas Palmyra e Carolina Wanderley” ao lado de outros nomes representativos do universo literário potiguar: Galdino Lima, Ezequiel Wanderley, Ponciano Barbosa e Moysés Soares (5).

Até o presente momento, o Natal-Club não tinha sócias mulheres, tendo as mulheres acesso ao clube por meio de seus esposos e pais. Desenvolvendo essa lógica, acreditamos que as primas Palmyra e Carolina Wanderley foram convidadas à participação nas “Hora literária” devido à condição de parentesco com Ezequiel Wanderley – sócio do Natal-Club desde 1906 e tio das meninas – e do noivo da jovem Palmyra Wanderley com um dos sócio-fundadores do clube, Moysés Soares. Se por um lado, a presença de Palmyra Wanderley no Natal-Club se fazia possível devido às suas relações de parentescos, por outro, acreditamos que os convites dirigidos à jovem escritora também podem ser explicados pelo destaque que, no final da década de 1910, Palmyra Wanderley possuía no campo jornalístico e literário potiguar. Além do destaque, Palmyra Wanderley ainda se dedicou aos escritos de peças teatrais, operetas, hinos patrióticos e religiosos e modinhas populares.

No entanto, os seus primeiros passos de uma escrita pública ocorram no campo jornalístico durante os anos de 1914-1915 com o surgimento da Revista Via Láctea. Nesse veículo comunicativo, Palmyra, Carolina Wanderley e suas companheiras escreveram sobre a educação e os interesses da mulher potiguar da década de 1910. O escrito de Palmyra Wanderley não foi pioneiro na difusão de uma voz feminina potiguar sobre a emancipação da mulher no estado do Rio Grande do Norte. Há uma vasta historiografia sobre a vida de Dionísia de Faria Rocha, conhecida por Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nascida em um sítio localizado em Papari – que corresponde, atualmente, ao município que leva o seu nove: Nísia Floresta –, era filha de uma moça de família rica, porém analfabeta, Antônia Clara Freire, e, do advogado e escultor português, Dionísio Gonçalves (6). Ainda que não fosse pioneira, Palmyra Wanderley deu vida a um projeto de conquista nos primeiros anos de 1910: a participação da mulher na produção jornalística no meio intelectual potiguar.

Durante o século XIX, identificamos alguns jornais e revistas dedicados ao público feminino no circuito comunicativo de períodos no Rio Grande do Norte. Todavia, estes periódicos eram publicados por homens como, por exemplo, O Íris (1875 – 1876), dirigido por Joaquim Fagundes e O Sorriso (1886), jornal literário produzido por Joaquim Cândido Pereira. Os primeiros nomes femininos nas páginas dos jornais e das revistas impressas norte-rio-grandense só apareceram no final do século XIX na revista Oásis (1894 – 1904), periódico do grêmio literário Le Monde Marche fundado pelos estudantes do colégio Atheneu Norte-rio-grandense. Nas páginas de Oásis, detectamos os nomes de Auta de Souza, Maria Carolina Wanderley (Sinhazinha), Anna Guimarães Lima (mãe de Palmyra). Essas foram as primeiras mulheres norte-rio-grandenses a ousar saírem da escrita feita no espaço privado do lar para a escrita pública nos jornais e nas revistas da capital. Já no início do século XX observamos a emergência de jornais dirigidos por mulheres, mencionamos aqui alguns deles: O Lyrio, de Adelle de Oliveira de Ceará-Mirim; O Batel, o qual colaborava Maria das Mercês, em Mossoró; A Esperança (1903), redigido por Izaura Carrilho, Dolores Cavalcanti e outras; A Infância e A Distração (1909), produzidos na cidade de Caicó. Esses dois últimos periódicos eram organizados pelas senhoras da alta sociedade caicoense. E ainda: Folha Nova (1913), dirigido por Alexandrina Chaves na cidade de Macau; O Alphabeto (1917 – 1919), sob a direção de Maria Antônia de Morais; A Salinésia (1926), criado por um grupo de jovens e apresentado oralmente no Teatro Moderno na cidade de Macau (CUNHA e LIMA, 2019, p.13).

Na verdade, esse movimento é detectado ainda no século XIX, todavia tratava-se de uma dezena de jornais manuscritos que circulavam no Rio Grande do Norte no final do século. A produção manuscrita, provavelmente, pode ser justificada pela precariedade no que diz respeito às oficinas tipográficas instaladas no Rio Grande do Norte, pelo menos até a década de 1920, aliado às condições da vida daquelas mulheres que residiam no interior do estado afastadas do centro cultural potiguar. Em contrapartida, ainda que as condições fossem as mais adversas possíveis, essas mulheres desejavam se fazer ouvir, divulgar as suas ideias, muito embora esta divulgação ocorresse por meio de páginas manuscritas. Possivelmente, esta profusão de jornais inspirou o aparecimento da revista impressa Via Láctea. Identificamos algumas características sobre o periódico: possuía papel tamanho ofício, era dotado de oito páginas com duas colunas cada, quase não apresentava colunas fixas – o que pode indicar uma inconstância no que diz respeito às publicações –, e não possuía ilustrações, mas utilizava molduras em determinadas páginas, a fim de delimitar os espaços das matérias que compunham a revista.

O periódico era mensalmente distribuído pela capital do Rio Grande do Norte e a forma de aquisição podia ser mediante a compra de um número avulso, ao custo de 400 contos de réis, ou por meio da assinatura – 3 mil contos de réis, para seis meses, e 1.500 contos de réis, para uma assinatura de três meses. As aquisições podiam ser realizadas no endereço da redação do periódico na Rua Conceição, número 19 – do número 1 ao 4 – e, posteriormente, na Rua Vigário Bartolomeu – do número 5 ao 8. Ambos os endereços estavam situados no bairro Cidade Alta: região de importância comercial na cidade do Natal. Portanto, ao todo, circularam oito números da revista feminina, entre outubro de 1914 e junho de 1915. O primeiro número da Via Láctea foi publicado no dia 1º de novembro de 1914. O corpo editorial da revista era formado pelas intelectuais Palmyra Wanderley, Carolina Wanderley, Stella Gonçalves, Maria da Penha, Joanita Gurgel, Anilda Vieira, Dulce Avelino e Stellita Melo. A partir do número 5, verificamos que é acrescentado ao corpo editorial Cordélia Silva e Maria Carolina Wanderley, apelida de Sinhazinha Wanderley.

O primeiro número explica que a ideia de lançar o periódico veio da “febre do jornalismo que a cidade suspirava” (VIA LÁCTEA, 1914, p.1) e que o órgão era exclusivamente feminino, o que era raro na capital norte-rio-grandense. No primeiro número da revista, as editoras destacam o comprometimento com a educação e o interesse da mulher. Os interesses da mulher, a partir da análise da Via Láctea, nos descortinam um leque de temas que constam desde já no subtítulo que o periódico levava: “religião, arte, ciência e letras”. A revista Via Láctea estava aberta a colaborações. Bastava que a pessoa interessada em colaborar com o periódico enviasse a sua produção intelectual para a redação. Além disso, as editoras estabeleciam uma condição fundamental para as colaboradoras: que a identidade da autora deveria ser revelada ao corpo editorial, embora ela quisesse se ocultar em sua publicação utilizando um pseudônimo. Esta medida era necessária para garantir que a revista fosse escrita exclusivamente por mulheres, visto que, na época, era comum que escritores homens adotassem pseudônimos femininos (7).

Desde o primeiro número, a revista Via Láctea mostra-se para o que veio. A produção cultural midiática exclusiva das mulheres potiguares buscava diferenciar dos temas publicados por homens, voltados ao público feminino. O que quer dizer que a revista desprezaria temas como, por exemplo, dicas culinárias, correio sentimental e conselhos de beleza. Assim, o programa da revista revela-se audacioso, por tomar rumos diferentes e por questionar o modelo de mulher construído nas primeiras décadas do século XX: o discurso do novo modelo de mulher “mãe-esposa-dona-de-casa” respaldado na ideia de uma natureza feminina que dotava a mulher, biologicamente, para desempenhar as funções da esfera da vida privada, que se resumia em: gerar filhos, cuidar da casa e do seu marido.

O contradiscurso da revista Via Láctea, liderado por Palmyra Wanderley e sua prima, Carolina Wanderley, questiona o novo padrão de mulher “mãe-esposa-dona-de-casa” e propõe o modelo da mulher emancipada. Os discursos em defesa da emancipação da mulher parecem ter ganhado fôlego nos números da revista dirigida por Palmyra Wanderley, escrevia-se sobre “A emancipação da mulher” e sobre “O feminismo”. A revista circulou apenas até junho de 1915. Mesmo diante de toda dificuldade, Palmyra e Carolina Wanderley reclamaram os direitos da mulher e, por meio dos oito números de Via Láctea, reagiram contra a condição a que estavam submetidas. Ainda que o periódico chegasse ao fim, Palmyra Wanderley ainda continua fazendo ecoar o seu discurso em prol da emancipação da mulher nas páginas de outros periódicos da cidade do Natal. Por meio de seus escritos na revista Via Láctea e em outros periódicos, a jovem escritora consegue estabelecer diálogos com seus leitores, principalmente, com as suas leitoras. A intelectual apostou, através de seus escritos, na perspectiva tanto de estimular as mulheres da terra a adentrarem o universo intelectual, bem como de conscientizá-las dos direitos que possuíam e da condição na qual viviam.

Foi por meio da prática da escrita, nas páginas da revista Via Láctea, que essa resistência pode ser desenvolvida como táticas necessárias para desvendar as sutilezas engendradas de forma criativa pelos dominados, com vistas a reagir à opressão que sobre eles incidem (CERTEAU, 2011, p.41). Sendo assim, Palmyra Wanderley reage às opressões de sua época, na medida em que consegue ocupar o espaço público jornalístico e social, que por muito tempo era negado às mulheres, e estabelece uma comunicação com outras mulheres. Um dos grandes méritos de Palmyra Wanderley foi o de abrir, e defender, espaço para que as mulheres norte-rio-grandenses pudessem divulgar os seus escritos, além de propagandear, por meio de seus textos, as ideias sobre a emancipação feminina. No entanto, a participação da mulher potiguar no espaço público acaba se revelando conflitante. Com um pensamento diferente daquele propagado na década de 1910, as ideias de emancipação feminina apontavam para o movimento feminista que ganharia força na década seguinte (1920). Contudo, Palmyra Wanderley pareceu-nos preconizar, assim como Nísia Floresta, algumas ideias feministas que seriam responsáveis por algumas conquistas nos anos seguintes.

Além de sua atuação na imprensa local, Palmyra publicou dois livros mencionados aqui, escreveu crônicas, peças de teatro, conferências e novelas. A escritora alcançou uma projeção em outros estados, como Pernambuco e Paraíba. No dia 19 de novembro de 1978., apesar da trajetória notável, Palmyra Wanderley faleceu solitária e esquecida.


* Sobre a autora: Maiara Juliana Gonçalves da Silva é professora de História da Escola Agrícola de Jundiaí (Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN). Possui formação nos cursos de bacharelado (2011) e de licenciatura (2014) em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e, atualmente, é aluna do doutorado no Programa de Pós-graduação em História na mesma instituição, onde desenvolve uma pesquisa sobre o movimento feminista e mulheres intelectuais na imprensa potiguar entre os anos de 1914 e 1934.


NOTAS DE FIM


  1. A família Wanderley, natural da cidade de Assú, teve importante atuação na história da capital do Rio Grande do Norte. O primeiro membro da família a se destacar foi João Carlos Wanderley (1811-1899). Ainda no período imperial, João Carlos Wanderley ocupou notáveis cargos públicos na província, entre eles: chefe do partido liberal, deputado provincial, secretário do governo; deputado geral; inspetor do Tesouro e vice-presidente de Província. Apesar dos ilustres cargos, João Carlos Wanderley também se destacou em sua atuação na imprensa da capital potiguar. Com o passar dos anos, a família Wanderley foi aumentando. João Carlos Wanderley tratou de casar a sua filha, Francisca Carolina Wanderley, com Luiz Carlos Lins Wanderley (1831-1890), responsável pela impressão do jornal A República, periódico do partido republicano emergente no Rio Grande do Norte. Posteriormente, a tipografia de Luiz Wanbderley foi vendida a Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, líder do supracitado partido. Mais informações: SILVA, Maiara Juliana Gonçalves da. “Em cada rua, um poeta. Em cada esquina, um jornal: a vida intelectual natalense (1889-1930). Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-graduação em História. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2014. p.157-164.

  2. No ano de 1922, Moysés Soares chegou a construir um sobrado para os dois, localizado na Avenida marechal Deodoro da Fonseca com a Rua João Pessoa, no bairro Cidade Alta.

  3. No ano de 1900, o governador Alberto Maranhão decretou a lei número 145, de 22 de agosto do ano corrente, em que competia ao Estado a responsabilidade de publicar as obras daqueles considerados filhos do Rio Grande do Norte. Consultar: ACTOS LEGISLATIVOS. A República. 22 ago. 1900.

  4. O Club Carlos Gomes respondia aos apelos de uma sociedade que ansiava por um lugar em que pudesse ser promovida reuniões sociais e bailes dançantes. No ano de 1893, o Carlos Gomes agitava a vida natalense promovendo um salão que continha bilhar, sala de palestras, uma banda de música e uma sala de espera destinada às famílias da capital potiguar. Ver: ARRAIS, Raimundo. ANDRADE, Alenuska. MARINHO, Márcia. 2008. p.140-141.

  5. O momento dedicado à literatura no 11º aniversário do clube foi organizado com declamações de poesia dos escritores presentes no clube, a saber: Galdino Lima, Ponciano Barbosa, Palmyra Wanderley, Carolina Wanderley, e, por fim, Moysés Soares. Informação retirada de: NATAL-CLUB. A República. Natal, 9 jul. 1917.

  6. Nísia Floresta casou-se aos 13 anos de idade, e deixou o marido no ano seguinte. Foi repudiada pela família por ter largado o seu marido. Devido ao assassinato de seu pai, que fugiu para Recife em 1824, Nísia teve que sustentar a mãe e os três irmãos. Aos vinte anos tornou-se professora. No ano de 1832, publicou Direitos das mulheres e injustiça dos homens. A escritora, de posição republicana e abolicionista, ao longo de sua vida, escreveu ideias polêmicas utilizando da escrita para reivindicar igualdade e educação para as mulheres ainda no século XIX. No Rio Grande do Norte, as autoras Constância Lima Duarte e Diva Cunha Macedo foram responsáveis por um considerável número de produções acerca da vida e das obras de Nísia Floresta, entre elas: Nísia Floresta – vida e obra; Carta de Nísia Floresta & Augusto Comte; Nísia Floresta: a primeira feminista do Brasil; e a republicação de Direitos das mulheres e injustiça dos homens, de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Mais informações, consultar: TELLES, Norma. Escritoras, escritas, escrituras. In: PRIORE, Mary Del (Org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2008. p.401-442.

  7. Na produção intelectual norte-rio-grandense detectamos alguns escritores que faziam uso do pseudônimo feminino: Henrique Castriciano (Rosa Romariz), Ferreira Itajubá (Stella Romariz) e Segundo Wanderley (Abelha Mestra).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand, 2005.


BROCA, Brito. A vida literária no Brasil – 1900. São Paulo: José Olympio, 2008. p. 32.


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CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano – Artes de fazer (1). Petrópolis: vozes, 2011. p. 41


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